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Transformando dias em noite e escuridão em luz: as duas faces de A Noite Americana

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Por Tiago Ramos

Algum tempo atrás, quando eu era uma pessoa mais interessante, costumava entrar em salas de cinema sem saber nada sobre o enredo do filme a que iria assistir. Pergunto-me como um espectador reagiria se fizesse o mesmo em 1973, em uma sessão de A Noite Americana (La Nuit Américaine). Passados os créditos iniciais, ele veria (e provavelmente pensaria) algo mais ou menos assim:

Uma mulher de casaco vermelho se aproxima de uma banca improvisada e apanha uma revista.

(“Essa é a protagonista?”)

Atrás dela, uma outra senhora, de vestido roxo e cachorro na coleira, faz o mesmo.

(“Quem é ela?”)

A câmera segue a primeira personagem, que entra no metrô, e a segunda mulher passa para o primeiro plano.

(“Espera aí, é essa daí a heroína?”)

Entretanto, deixamos de acompanhar o seu passo apressado, e ela logo sai de cena. Em seguida, do metrô, sai um jovem e elegante rapaz.

(“Agora sim! Esse deve ser o herói!”)

Acompanhamos seu andar por alguns segundos, mas agora é a câmera que o deixa para trás, voltando sua atenção para um conversível vermelho.

(“Quem está nesse carro…?”)

Porém, tão rapidamente quanto surgiu, o carro se vai, perdendo em importância para um senhor que desce um lance de escadas. Aproximamo-nos dele enquanto caminha.

(“Eu já não estou entendendo mais nada… Onde foi parar o outro cara?”)

De repente, o primeiro rapaz aparece, encara o homem mais velho e o esbofeteia.

Corta. Não, não é que a cena termine (apesar de que isso também acontece), mas sim que a palavra é dita por alguém. Desconcertado, nosso espectador imaginário descobre que ele estava acompanhando um filme dentro de um filme, e a ilusão é desfeita. Será? Elenco e equipe de produção se reúnem, se reorganizam, e a mesma cena é repetida. Só que, dessa vez, as orientações do diretor, por trás das câmeras, funcionam como trilha de áudio. Observe o resultado:

Um filme sobre um filme

Escrito e dirigido por François Truffaut, A Noite Americana é mais do que um filme. É uma homenagem de um cineasta à sua forma de arte e profissão. Durante breves 116 minutos, essa mistura de drama, comédia e documentário retrata a produção de um longa-metragem fictício, do primeiro ao último dia de filmagens. Ao expor algumas das dificuldades, alegrias, imprevistos, frustrações e vitórias no processo de se fazer um filme, Truffaut acredita não diminuir o encanto do cinema. Pelo contrário, busca intensificá-lo aos olhos de seu público. Vistos como um argumento inicial, os dois minutos reproduzidos acima nos fornecem um indício de que ele talvez esteja certo. Ao final, ainda que passemos a enxergar o cinema com olhos um pouco menos inocentes, terminaremos plenamente convencidos de que filmes efetivamente são, de alguma maneira, mágicos.

Antes de prosseguirmos, é essencial posicionar o longa em seu contexto histórico. Atualmente, não é particularmente difícil encontrar histórias sobre o processo criativo da própria narrativa. Nós mesmos já tratamos de um outro filme dessa natureza. Na televisão, a comédia 30 Rock (2006 – 2013) colecionou dezenas de prêmios satirizando os bastidores de um programa. Na literatura, Paul Auster construiu sua carreira inteirinha ao redor de livros em que alguém escreve um livro. Em certa medida refletindo o cinismo dos dias de hoje, a metalinguagem se tornou tão bem-sucedida quanto popular.

Truffaut

Truffaut, caracterizado como o diretor Ferrand, em “A Noite Americana”.

Em 1973, porém, a empreitada de Truffaut era algo muito mais peculiar. Num nível pessoal para o cineasta, poderíamos até mesmo dizer arriscado. Depois de alguns anos como um implacável crítico de cinema do respeitado periódico Cahiers du Cinéma, o francês François Roland Truffaut (1932 – 1984) resolveu tentar a sorte como diretor. Ganhou na Mega da Virada sozinho. Seu primeiro longa, Os Incompreendidos (Les Quatre Cents Coups, 1959) catapultou seu nome como um dos principais expoentes da nouvelle vague, revolucionário movimento do cinema francês que começava a tomar forma à época. No decorrer dos anos 60, familiarizou-se com o sucesso (Jules e Jim, Uma Mulher para Dois, 1962) e sentiu na pele a crueldade de seus antigos colegas de profissão (Um Só Pecado, 1964; Fahrenheit 451, 1966).

Com o fim da nouvelle vague em 1967/68 (ao menos de acordo com o consenso geral), o diretor parecia flertar com o mainstream. Seu longa anterior,Uma Jovem Tão Bela Como Eu (Une Belle Fille Comme Moi, 1972), já havia sido financiado por um grande estúdio norte-americano (assim como Noite também o seria). Para aqueles que começavam a enxergar Truffaut como um traidor do movimento que ajudou a criar, A Noite Americana foi a gota d’água. Após assistir ao longa, Jean-Luc Godard, amigo de Truffaut e outro grande nome da nouvelle vaguedeu início a uma troca de ofensas com o cineasta de fazer inveja a qualquer subcelebridade barraqueira tupiniquim.

À primeira vista, Noite realmente aparenta ser um filme simples, e ele de fato se mantém distante de qualquer discussão política e social, um dos maiores pontos de contenda com Godard. Se levarmos em conta a percepção popular de que filme europeu é chato e filme velho é chato e feio, não deixa de ser surpreendente como ele é, ao contrário do que se espera, acessível, leve e divertido. Veja, por exemplo, a cena em que a produção sofre para fazer com que um gatinho tome um pouco de leite em frente às câmeras:

Por outro lado, A Noite Americana passa longe de ser um longa convencional. A começar pela sua estrutura. Ausente está uma trama com início, meio e fim tradicionalmente definidos. Ele pode ser melhor descrito como uma coletânea de anedotas, observações e eventos que pontuam a produção de Je Vous Présente Pamela, o filme-dentro-do-filme. Não fosse por alguns pontos-chave — a chegada tardia no set de filmagens de Julie Baker (a encantadora Jacqueline Bisset), estrela do projeto, a morte acidental de um dos principais membros do elenco e o colapso emocional de outro  — as cenas do filme poderiam ser embaralhadas e reorganizadas sem que o espectador percebesse grandes diferenças.

Também falta ao filme os arcos individuais dos personagens. Para a maioria deles, não há os costumeiros conflitos, o aprendizado (ou descoberta) de algo novo e a subsequente mudança em suas vidas. Eles apenas existem. Porém, ainda que Noite privilegie a forma em detrimento do conteúdo, são os personagens e suas interações que lhe dão forma, cor e sabor. O caprichoso ator Alphonse (Jean-Pierre Léaud), perdidamente apaixonado pela volúvel estagiária Liliane (interpretada pela cantora francesa Dani). Séverine (Valentina Cortese), atriz mais velha que oculta seus temores de decadência atrás de uma personalidade expansiva (com uma mãozinha da bebida). O estressado produtor Bertrand (Jean Champion), porta-voz recorrente de más notícias, dentre outros. Todos sendo, de um modo ou outro, gerenciados pelo diretor Ferrand (vivido pelo próprio François Truffaut) e pela sua assistente de roteiro, a eficiente e equilibrada Joelle (Nathalie Baye).

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Jacqueline Bisset, em imagem promocional do filme.

O cinema é rei (e amante)

Em determinada cena, a caminho do aeroporto para encontrar seu jovem amante, o ator veterano Alexandre (o excelente Jean-Pierre Aumont) discorre sobre a necessidade que artistas possuem de se sentirem amados. Ironicamente, em A Noite Americana, relações amorosas entre os personagens são artigo raro. À exceção do relacionamento entre a atriz vivida por Jacqueline Bisset e seu marido, o set de filmagens é retratado como um ambiente propício para o sexo, não para o amor. Quase todos os personagens, em algum momento, transam com algum de seus colegas de trabalho (ou assim o fizeram no passado). Uma das piadas recorrentes do longa consiste na enciumada mulher do gerente de produção Lajoie (Gaston Joly) seguindo seu esposo por todos os lados, convencida de que todas as mulheres do local estão de olho nele. (Não estão, tadinho.)

(Vale mencionar, rapidamente, que entre os poucos celibatários do filme está o próprio diretor Ferrand. Nesse sentido, ele não poderia ser mais diferente do que seu intérprete. Na vida real, François Truffaut, em português culto, “pegava geral” no que diz respeito às atrizes principais de seus projetos.)

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Há amor, entretanto, entre o diretor e a sua arte. Em dado momento, Ferrand recebe um pacote lacrado. Ao mesmo tempo, atende um telefonema de Georges Delerue, compositor da trilha sonora tanto de Noite quanto do filme-dentro-do-filme. Enquanto Delerue reproduz uma faixa para o diretor — a mesma utilizada em uma cena romântica de outro longa de Truffaut, Duas Inglesas e o Amor (Les Deux Anglaises et le Continent, 1971) — este abre a remessa, empolgado. Dentro, encontram-se vários livros sobre cinema, cada um dedicado a um diretor de renome, incluindo Alfred Hitchcock, Luis Buñuel, Howard Hawks, Ingmar Bergman e, ironicamente, Jean-Luc Godard. A câmera detém-se nos livros enquanto vão sendo removidos do pacote e empilhados, com a música de Delerue ao fundo. Em nossas mentes, quase conseguimos visualizar o cineasta curvado diante de seus mestres.

Se a imaginação não for suficiente, o filme nos provê um outro exemplo da reverência do cineasta, este mais visual. No decorrer de Noite, por três vezes vemos Ferrand inquieto na cama, assombrado pelos eventos do dia mesmo durante o sono. Em seus sonhos, sempre a mesma criança, caminhando sozinha no escuro, tentando, em segredo, chegar a algum lugar. Seu destino, quando finalmente revelado, não poderia ser outro: um cinema. Em cartaz: Cidadão Kane (Citizen Kane, 1941). O menino se põe de joelhos diante da grade que o separa da entrada vazia — encarnado na criança, Truffaut novamente demonstra seu respeito a uma de suas inspirações, desta vez Orson Welles. Em seguida, o garoto, com a ajuda de uma bengala, rouba as fotos do filme presas em um painel atrás das grades e sai correndo. O significado do gesto é melhor exposto nas (sucintas) palavras do diretor, justapostas sobre a imagem do moleque em fuga no ensaio em vídeo Dreams of Cinema, de :: kogonada:

“Uma parte importante do trabalho do diretor… é roubar.”

— François Truffaut

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A Noite Americana é, em igual medida, reconhecimento e celebração da ilusão criada pelo cinema. Seu título é a primeira evidência disso. Apesar do longa ser um projeto profundamente pessoal, Truffaut optou por batizá-lo com um termo técnico. La nuit américaine, ou day for night, refere-se ao artifício que permite a uma câmera, por meio de filtros nas lentes, registrar imagens capturadas em pleno dia como se acontecessem à noite. Ao dar ao seu filme o nome de uma forma de manipulação empregada pelo cinema, o diretor, por um lado, admite que sua arte fundamenta-se em mentiras.

Por outro, ele argumenta que essa farsa é tudo o que realmente importa. A certa altura, Alphonse ameaça deixar a produção após sua amada Liliane ter fugido para a Inglaterra com um dublê. Buscando acalmá-lo, Ferrand decide ter uma breve conversa com o ator. Em seu discurso, o diretor diz ao jovem intérprete que a perfeição existe somente no mundo do cinema, e que a realidade é de fato cheia de percalços. Nos filmes, não é preciso lidar com engarrafamentos ou tempos perdidos, e a vida flui com tranquilidade semelhante a trens atravessando a noite. Por fim, conclui que gente como eles dois apenas podem ser felizes quando se encontram dentro desse mundo. Na verdade, se pararmos para pensar, talvez o mesmo valha para todos nós.

Nenhuma palavra do cineasta, porém, consegue ser mais convincente do que as imagens das diversas montagens encontradas em Noite. No intervalo de poucos minutos, Truffaut visualmente captura a forma como atores, personagens, equipe e ferramentas interagem e, de certa maneira, se mesclam, para produzir um filme. São nestas sequências que ilusão e realidade melhor se misturam, emergindo como poesia. Ao chegar na metade das filmagens de Je Vous Présente Pamela, Ferrand constata que todos os problemas estão resolvidos, os atores estão acostumados com seus papéis e sua equipe sabe direitinho o que deve ser feito. Em seguida — e imediatamente antes de A Noite Americana agraciar o espectador com a sua mais bela montagem — ele afirma: “O cinema é rei”. Veja e concorde:

Um filme sobre a vida

Em Je Vous Présente Pamela, o longa fictício de A Noite Americana, um rapaz francês (interpretado pelo Alphonse de Jean-Pierre Léaud) leva sua esposa inglesa (a Pamela do título, vivida pela Julie Baker de Jacqueline Bisset) para passar uns dias na França, planejando apresentá-la aos pais. Ocorrida a reunião familiar, ela termina se envolvendo com o pai do seu marido, e ambos largam tudo para viverem seu amor proibido. Já nos bastidores, enlouquecido depois que Liliane o abandona, Alphonse encasqueta que está profundamente apaixonado pela sua parceira de cena Julie, pondo em risco o casamento dela no processo.

Poderíamos certamente dizer que, com o emaranhado de relacionamentos acima, Noite mostra como a vida imita a arte. Na verdade, a obra de Truffaut vai muito além disse simples paralelo. Ainda que o cinema constitua seu tema principal e razão de existir, o diretor constantemente nos recorda de como o que vemos na tela — e principalmente o que se passa por trás dela — é um reflexo de experiências e sentimentos reais. Tanto quanto é Rei, o cinema também é súdito.

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Jean-Pierre Aumont e Valentina Cortese, em imagem promocional do filme.

A Noite Americana retrata o melhor e o pior das pessoas. Por vezes, elas podem ser profundamente egoístas. A imaturidade de Alphonse, a infidelidade de Liliane (que, antes de fugir com o dublê, já havia pulado a cerca com o fotógrafo da produção), os atores centrados em si próprios, sempre descrevendo o filme-dentro-do-filme como se seus respectivos personagens fossem os protagonistas da história. Em outros momentos, a equipe não mede sacrifícios para manter as coisas nos trilhos. A disposição de Julie para dormir com Alphonse, de modo a acalmá-lo após a perda da namorada. O diretor assistente Jean-François (Jean-François Stévenin), que entrega seu carro para ser destruído em uma cena. A roteirista Joelle, que melhor verbaliza o compromisso com a arte ao dizer que “largaria um cara por um filme, mas nunca um filme por um cara.”

Para Trufffaut, a magia do cinema é resultado direto dos encantos daqueles que o realizam. Durante todo o filme, Alphonse pergunta aos homens ao seu redor se mulheres são mágicas. As respostas que ele inicialmente recebe nunca são plenamente satisfatórias. O primeiro diz que não. Outro pensa que sim, mas apenas algumas. O terceiro garante que somente suas pernas o são. (“É por isso que usam saias”, justifica.) A melhor resposta, claro, é reservada para o final, oferecida justamente por uma mulher. Quando tem uma oportunidade de falar sobre o tema, Julie afirma que mulheres não são mágicas, ou os homens também teriam de sê-lo. Ou somos todos mágicos, ou ninguém o é. Após assistir a Noite, fica claro que, para o diretor, o cinema é o conduíte por meio do qual tais encantos melhor transparecem.

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A cena inicial de “A Noite Americana” — e “Je Vous Présente Pamela” — vista de cima.

Os momentos nos quais Noite melhor dialoga com a realidade do espectador, entretanto, residem nas reações do cineasta Ferrand ao turbilhão de problemas rotineiramente enfrentados no set de filmagens. Apesar de ser o pilar de sustentação de todo o projeto — ele próprio descreve o diretor como alguém que precisa lidar com um número infinito de perguntas sobre tudo — o avatar de Truffaut é um homem repleto de inseguranças, reiteradamente mostradas ao longo da obra. A visão diminuta de si próprio em seus sonhos, o sono inquieto, assombrado pelos acontecimentos do dia, as ocasiões em que a única convicção que parece restar é a de que tudo dará errado. Quem dentre nós não experimentou as exatas mesmas sensações no percurso para concretizar algum objetivo pessoal ou profissional?

Ainda assim, o diretor mantém a cabeça fria e persevera. Logo no início do longa, Ferrand diz que fazer um filme é como atravessar o Velho Oeste em uma charrete: você parte torcendo por uma boa viagem, mas sequer sabe se vai chegar ao seu destino. Longe de ser uma obra motivacional, a citação clandestinamente carrega o inspirador segredo de A Noite Americana, válido tanto para o filme quanto para o que há além dele: não se trata do ponto de chegada, mas sim da jornada. Na constância das incertezas ou na aparente falta de propósito, a única possibilidade que nos resta é aproveitar a viagem o melhor possível. E quando as adversidades parecerem duras demais para serem enfrentadas, sempre teremos a ilusão do cinema. Em suas lentes e holofotes, encontramos luz na escuridão e vemos nossas vidas refletidas em uma versão melhorada da realidade. Mais bela. Mais poética. Como trens atravessando a noite.

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No Brasil, A Noite Americana está disponível apenas em DVD (e o cidadão responsável pela sinopse no site da 2001 deveria ser preso). Se alguém ficou lhe devendo um presente de Natal, o filme foi recentemente restaurado e lançado pela Criterion Collection em um blu-ray recheado de extras.

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Sobre Tiago Ramos (9 artigos)
Não conhece ontem algum, não admite o presente e para quem o amanhã é esquecimento.

1 comentário em Transformando dias em noite e escuridão em luz: as duas faces de A Noite Americana

  1. Excelente resenha! Podia até ser o comentarista do Oscar na TV ao invés do patético e superficial pseudo comentarista Rubens Ewald Filho. Parabens mais uma vez pela profundidade com que faz as análises dos filmes, sem contar, a foto da belíssima vovó SEX-agenária Jacqueline Bisset. Na verdade é Septagenária!!! Aí é complicado mesmo!!!

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